Projovem Prisional vai beneficiar cerca de 300 detentos no Pará

01/08/2013

 

 

O Programa Projovem Urbano Prisional (PJU/Pris) vai beneficiar, a partir de setembro, cerca de 300 detentos de Unidades Prisionais da Superintendência do Sistema Penitenciário do Pará (Susipe). O ciclo de aulas oferecido pelo programa inclui a conclusão do Ensino Fundamental, qualificação profissional e formação cidadã, com duração de 18 meses.

Além do Pará, participam do programa os estados do Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná e Rio Grande do Norte, que aderiram ao edital do Ministério da Educação (MEC) em 2012, e cumpriram os requisitos de participação. O Pará vai receber R$ 102 mil para executar as ações do programa. Na qualificação profissional será oferecido o curso de Madeira e Móveis, no qual os internos aprenderão a trabalhar em serviços de marcenaria, reforma de móveis, auxílio de desenhista de móveis e venda de móveis.

Marizângela Fuckner, gerente da Divisão de Educação Prisional da Susipe, informou que estão sendo definidas as unidades prisionais que participarão do PJU/Pris este ano, e quantos detentos serão beneficiados. “Para participar, o interno precisa ter entre 18 e 29 anos, RG e CPF, saber ler e escrever, e não ter concluído o Ensino Fundamental, além de ser sentenciado em regime fechado, com previsão de pena ainda a ser cumprida por dois anos”, explicou.

Dados do Sistema de Informações Penitenciárias (Infopen), do Ministério da Justiça, mostram que mais de 65% das pessoas detidas no país não têm o Ensino Fundamental completo. No Pará, esse número chega a 57% da população carcerária custodiada pela Susipe.

O Projovem Urbano Prisional foi implantado em 2009, para garantir a escolaridade a detentos na faixa etária de 18 a 29 anos. No Pará, o programa é desenvolvido em parceria entre a Susipe, Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e Ministério da Justiça, por meio do Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Reintegração - A modalidade é uma extensão do Projovem Urbano, realizado pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ). A iniciativa de levar o programa até unidades prisionais é da SNJ, por meio do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci), com o objetivo de assegurar o direito à educação aos jovens que estão detidos, contribuindo para a reintegração social após o cumprimento da pena.

O programa foi adequado para atender às normas do sistema carcerário, a exemplo do pagamento do auxílio mensal de R$ 100,00. Os detentos não recebem diretamente o benefício. Eles indicam o nome de uma pessoa para receber a bolsa por eles.

O Pará foi um dos três Estados que participaram do projeto piloto de implantação do Projovem Urbano Prisional (Meta 2009/2011), junto com Acre e Rio de Janeiro. Nessa primeira etapa, 300 internos do Centro de Recuperação do Coqueiro (CRC), Centro de Recuperação Penitenciário do Pará II (CRPP II) e da Penitenciária de Americano I (PEM I) participaram do PJU/Pris.

Maria Iraneide, coordenadora pedagógica do CRC, disse que o Projovem Urbano Prisional é um grande incentivo para os detentos. “Além de concluírem o Ensino Fundamental, eles fazem um curso profissionalizante. Com isso, saem do presídio com uma boa perspectiva de trabalho. Alguns internos que fizeram o curso já estão trabalhando em grandes empresas”, contou.

Exemplo - David Vidal, 29 anos, fez o curso de Madeira e Móveis. Na época, ele estava custodiado no CRC e, como já participava da modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos), ficou interessado em aprofundar os estudos e garantir a bolsa de R$ 100,00. David disse que gostou mais das aulas de formação cidadã, nas quais aprendeu sobre cultura. Esse aprendizado, segundo ele, o fez entender melhor as regras sociais, e despertou o interesse de aprofundar as aulas de Inglês.

David, que aguarda a liberdade no Centro de Progressão Penitenciária de Belém, acrescentou que o Projovem aumentou sua autoestima. “Antes, eu não tinha vontade de cursar faculdade. Agora quero ter um curso superior. Vou prestar vestibular para Hotelaria, Engenharia Civil ou Direito. Hoje tenho uma visão maior do mundo e planos melhores. Não tive a oportunidade de aprender isso antes, mas agora que aprendi vou fazer o meu melhor quando sair daqui”, afirmou

 

Fonte:

http://www.agenciapara.com.br/noticia.asp?id_ver=131565