MEC começa negociação no Congresso para ampliar a obrigatoriedade do ensino no país

Da Agência Brasil

Portal UOL Educação, 10/02/2009

 

O ministro da Educação, Fernando Haddad, vai na próxima quarta (11) ao Congresso Nacional conversar com lideranças da Casa sobre o PEC (projeto de emenda à Constituição) que vai ampliar a obrigatoriedade do ensino para a faixa etária dos quatro aos 17 anos. Hoje, apenas o ensino fundamental (sete a 14 anos) é obrigatório por lei. Com a mudança, a pré-escola e o ensino médio serão incluídos nessa cobertura.

Segundo o ministro, ainda não há um modelo para esse projeto, mas uma das possibilidades é que ele seja vinculado à PEC que acaba com a incidência da DRU (Desvinculação de Receita da União) sobre os recursos da educação. A matéria já foi aprovada no Senado e agora precisa ser  votada na Câmara. "O pressuposto para essa proposta seria o fim da DRU, sem isso seria um passo arriscado. O que se discute é se é possível compatibilizar os dois projetos. Regimentalmente, existe essa possibilidade. Estou falando com lideranças da educação no Congresso e vamos ver se conseguimos. Na minha opinião um acordo é simples porque são dados que saltam a vista. A oportunidade está dada e o Brasil não pode perder", afirmou Haddad.

O ministro argumenta que além dos R$ 7 bilhões extras que o MEC teria com o fim da desvinculação, os custos da ampliação do ensino "são menores do que as pessoas estão imaginando", especialmente em função da tendência de redução da população dessa faixa   etária. "Você tem uma queda demográfica muito acentuada a partir de 2009 no Brasil. Nós teremos 7 milhões de crianças e jovens a menos nos próximos anos. É uma janela de oportunidade que se abre. Além disso você melhora a eficiência do sistema. A repetência nos anos iniciais do ensino fundamental é muito elevada, justamente em função das crianças que não freqüentaram a pré-escola. Então, com a ampliação, você baixa os custos", disse. Segundo Haddad, o presidente Lula quer que a PEC seja aprovada ainda em 2009. Além do formato do projeto, o Ministério está discutindo com secretários estaduais e municipais de Educação um período de transição para que a mudança possa ser adotada em todas as redes de ensino do país. Amanda Cieglinski