Interiorização do ensino técnico atende demanda histórica

15/09/2006 10:51

A busca por novas oportunidades profissionais pelos moradores das cidades do interior é antiga. É a avaliação do presidente do Conselho Nacional dos Dirigentes dos Centros Federais de Educação Tecnológica (Concefet), Sérgio Gaudêncio Portela de Melo. “A população do interior tem dificuldade de ir para os grandes centros urbanos para complementar seus estudos”, avalia.

Com a expansão dos Cefets, será possível oferecer cursos de formação inicial e continuada, cursos superiores e pólos da Universidade Aberta do Brasil, criada este ano para levar o ensino superior a distância ao interior do país, prevê o presidente do Concefet.

Gaudêncio lembrou, ainda, que a expansão do ensino profissional será reforçada com o aumento de recursos para a construção de novas escolas técnicas federais e compra de equipamentos. No dia 31 de agosto último, o MEC anunciou o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para financiar US$ 500 milhões em investimentos na educação profissional e tecnológica.

Legislação − A Lei nº 9.649, de 27 de maio de 1998, impedia a União de expandir a educação profissional. A alteração da lei, em novembro do ano passado, permitiu à União criar escolas técnicas, agrotécnicas federais e unidades descentralizadas, quando não for possível fazer parcerias com estados ou municípios, ONGs e o setor produtivo. A mudança viabilizou o plano de expansão da rede federal, permitindo a oferta de educação profissional nas regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Atualmente, 153 mil alunos estão matriculados no ensino superior tecnológico brasileiro, que possui mais de 3.500 cursos superiores. As áreas que mais oferecem cursos de tecnologia são a industrial, de informática e de gestão.

A relevância da educação profissional pode ser demonstrada pelo crescimento do número de vagas e cursos oferecidos entre 1994 e 2004. Em 1994, havia 23.861 vagas na educação profissional e, em 2004, o número aumentou para 200.458, o que representa um aumento de 840%. Em relação aos cursos oferecidos, a quantidade cresceu de 261, em 1994, para 1.804, em 2004, ou seja, houve um aumento de 691% em dez anos.

Repórter: Flavia Nery