Folha Online, 31/03/2005 - São Paulo SP

Governo prevê formar primeira sala do Escola de Fábrica em junho

Camila Marques da Folha Online

 

Com o objetivo de expandir o sistema educacional de nível técnico e promover a inclusão social de jovens carentes, o governo federal, por meio da Setec (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica), criou o projeto Escola de Fábrica. A primeira etapa do programa, as inscrições das empresas interessadas, já terminou. O MEC, agora, analisa os projetos pedagógicos pré-aprovados para definir os escolhidos. A previsão é de que a primeira sala de aula comece a funcionar em junho. "Além de expandir o sistema formal de ensino e atender à indústria, o programa é um trabalho de inclusão social. Nós reconhecemos a dificuldade do jovem, principalmente do jovem de baixa renda, de entrar no mercado de trabalho", diz Antonio Ibañez Ruiz, titular da Setec. O investimento do MEC será de R$ 25 milhões. Para participar do Escola de Fábrica, os interessados deverão ser provenientes de famílias com renda per          capita (por pessoa) de até meio salário mínimo. São alvos do projeto jovens de 15 a 18 anos matriculados em escolas públicas de educação básica e jovens com até 21 anos egressos do programa Brasil Alfabetizado, que estejam matriculados ou ingressando no programa de educação de jovens e adultos. A intenção do MEC era criar 500 escolas em 2005, com 10 mil vagas. No entanto, segundo Ibañez, a meta deve ser superada. Isso porque o número de instituições gestoras inscritas e aprovadas na primeira etapa reúne 700 empresas.

 

Inicialmente, cerca de 200 instituições (entre ONGs, organizações da sociedade civil de interesse público [Oscips], prefeituras, fundações, cooperativas, escolas técnicas) se inscreveram. Por regra, cada entidade já era obrigada a listar as empresas que seriam suas parceiras no projeto. Dessas, 83 foram classificadas. "A MP [medida provisória] que cria o projeto deve sair nos próximos dias, e as empresas           serão convocadas a apresentar seus projetos pedagógicos", explica Ibañez.

 

Projeto - Na parceria, as instituições gestoras ficam responsáveis pela produção técnico-pedagógica, pelo acompanhamento e gestão necessária ao funcionamento das unidades formadoras nas empresas, incluindo a avaliação e certificação dos alunos.

 

As empresas entram com a infra-estrutura física (sala, mobiliário, quadro, giz etc.), com funcionários que serão os instrutores e arcam com os custos decorrentes da implantação das unidades formadoras. Também deverão assegurar alimentação, uniforme e transporte aos alunos. Como incentivo, o MEC vai financiar a bolsa dos alunos durante seis meses, nos dois primeiros anos. Cada empresa deverá montar uma unidade formadora com capacidade para 20 alunos por ano. Os cursos terão duração mínima de 600 horas/aula.