Cursos de nível técnico valem ouro no mercado

05/05/2011 - Belo Horizonte MG, Hoje em Dia

 

Considerado como melhor forma de qualificação de profissionais, ensino técnico se expande e recebe investimentos

 

Faltam profissionais de nível técnico no mercado de trabalho, com oportunidade para jovens que irão ingressar ou concluíram o Ensino Médio. Instituições que oferecem formação técnica, como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), registram aumento da procura, em um cenário de estagnação do número de vagas oferecidas nos cursos. A consequência é a valorização do profissional técnico, com aumento da remuneração, que muitas vezes chega a superar a de um trabalhador com curso superior. Atento a essa falta de profissionais, o Governo federal lançou, na semana passada, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), com a promessa de expandir, interiorizar e democratizar a oferta de cursos técnicos e profissionais de nível médio e de cursos de formação inicial e continuada. O volume de investimento no Pronatec é de R$ 1 bilhão em 2011, segundo o ministro da Educação, Fernando Haddad. Do total, R$ 700 milhões serão destinados a bolsas para estudantes e trabalhadores, enquanto R$ 300 milhões ficarão reservados para financiamento estudantil por parte dos próprios alunos. O Pronatec intensifica o programa de expansão de escolas técnicas em todo o país. Em Minas Gerais, há atualmente seis unidades federais. Na maior delas, o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), com dez campi, o número de vagas ofertadas em 2011 chegou a 2.682, contra 2.228 em 2010. No Cefet são ofertadas 18 opções de cursos técnicos, que podem ser feitos paralelamente ao Ensino Médio, em três ou quatro anos (noturno), ou após a conclusão deste nível, em dois anos. O processo seletivo é semestral.

Para o gerente de Educação Profissional do Senai Minas, Edmar Fernando de Alcântara, o Brasil experimenta um momento favorável ao profissional de nível técnico sem precedentes na história recente. Consequência do aumento da                 oferta e da facilidade de acesso aos cursos superiores, além do aquecimento da economia e aumento do nível de emprego. “Hoje, é mais fácil fazer um curso superior que um curso técnico. Isso reduziu a quantidade destes profissionais que se formam anualmente”, afirma. A falta de pessoas qualificadas já preocupa as empresas e não são raros os casos em que elas decidem investir diretamente no ensino profissionalizante. Caso da Vale, que recentemente assinou convênio com a Secretaria de Estado da Educação para investimento de R$ 100 milhões no Programa de Educação Profissional (PEP). Ele atende, atualmente, 172.872 alunos, em 128 municípios mineiros. Com a parceria da mineradora, o número de jovens beneficiados saltará para 203.772. A meta do Governo é chegar a 400 mil estudantes até 2014. Para a criação das novas vagas e manutenção das já existentes, em 2011, serão investidos R$ 43 milhões do Tesouro do Estado.

Por meio do PEP são oferecidos 83 diferentes cursos em 11 áreas do conhecimento. Eles são gratuitos e ministrados em 400 escolas estaduais e em 150 instituições parceiras municipais ou privadas. Para concorrer a uma das vagas, o aluno deve estar matriculado no 2º ou 3º ano do Ensino Médio da rede pública estadual. O programa também é aberto à participação de jovens que já tenham concluído o Ensino Médio e ainda a estudantes matriculados no Programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2011, um total de 284 mil pessoas se inscreveram para disputar as 30 mil novas vagas. Além do PEP, a rede pública estadual também oferece ensino técnico a 8 mil estudantes matriculados em escolas com Ensino Médio profissionalizantes ou nos Centros de Educação Profissionalizantes (CEPs). A demanda do mercado por profissionais de nível técnico chegou ao ponto de as empresas optarem pela contratação dos estudantes ainda                  durante os cursos. Caso de Anália Lopes, que começou a trabalhar durante o curso técnico em Estética realizado no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), em Belo Horizonte. O Senac oferece, anualmente, mais de 205 mil vagas, com processo seletivo mensal. Do total, 22 mil são gratuitas. “Estou atuando na área e muito satisfeita. O retorno pessoal e financeiro tem sido satisfatório”, diz Anália, que trabalha com tratamento facial e corporal em uma clínica no Bairro Cidade Nova, Região Nordeste de Belo Horizonte. “Foi um curso muito bom, que além de todos os conhecimentos e a prática necessária, me deu segurança para o exercício da atividade”.

A gerente regional do Senac Minas, Tatiane Franco Buiati, destaca que algumas áreas enfrentam hoje uma demanda por profissionais muito acima da oferta, também pela falta de interesse dos jovens nessas profissões. Caso de garçom, cuidador de idosos, recepcionista e técnico em hotelaria. “O mercado continua a precisar desses profissionais, só que a quantidade de estudantes interessados nos cursos é cada vez menor”. O Senac também realiza um programa que estende a oportunidade de capacitação a pessoas com renda familiar per capita de até dois salários mínimos. O Programa Senac de Gratuidade é voltado para alunos que estejam cursando, ou já tenham concluído, a educação básica e trabalhadores empregados ou desempregados. São cursos de capacitação profissional e cursos técnicos. As inscrições devem ser feitas pelo site do Senac. A demanda por profissionais de nível técnico também despertou o interesse de instituições de ensino privadas. Caso do Colégio Batista Mineiro, de Belo Horizonte, que oferece curso na área de nutrição. “A demanda é grande, tanto pelo bom momento da economia quanto pela falta de profissionais qualificados”, explica a coordenadora geral de Educação do Batista, Simone Soares Campos.

 

Rogério Wagner Mendes